Bbzs' Blog

Archive for the ‘parto domiciliar’ Category

Pra contar do parto preciso contar um pouco da gravidez! (se não quiserem ler pulem pro título abaixo)

Dessa vez eu sabia exatamente o dia da concepção, então não esperava ter engravidado, ainda mais depois de tanto tempo tentando e após um aborto espontâneo, sem saber ao menos que estava grávida. Novamente os planos de Deus se sobrepõem aos nossos!

Eu estava me sentindo diferente, mas não achava que estava grávida. Mas a Laura insistia em falar que tinha um bbzinho na minha barriga… Um dia eu estava tomando banho com ela, e ela encostou o ouvido na minha barriga e começou a rir! EU perguntei o que era, e ela disse: “nada não! to conversando com a minha irmãzinha!”. Eu fiquei intrigada… irmãzinha! As crianças sentem essas coisas… compramos um teste de farmácia, mas ainda não tinha atrasado a menstruação, e o teste deu negativo… 😦

Uns dias depois estávamos na igreja e o pastor saiu do altar e veio orar por nós no meio da igreja. No final ele pegou a mão do Gustavo, colocou na minha barriga e disse: “Deus está te concedendo o desejo do seu coração!” Nós não tínhamos falado da desconfiança, mesmo pq o teste tinha dado negativo! No dia seguinte fizemos um novo teste: POSITIVO!

Naquele momento eu soube que seria uma menina! Era o desejo do coração do Gustavo, Deus estava nos abençoando! Embora quisesse fazer surpresa e só confirmar na hora do parto nós, e apenas nós sabíamos que era mais uma menina!

A gestação foi saudável, mas eu enjoei muito! Não havia o que fizesse o enjoo passar! Talvez por isso tenha ganhado apenas 9 kg dessa vez (contra os 16 da gravidez anterior), mas fiquei mto fraca e não consegui fazer atividades físicas, mas no geral foi td tranquilo, mas o Gustavo viajou quando eu estava com 35 semanas, e eu tive que fazer repouso, pq sozinha com a Laura furacão, comecei a ter contrações mais fortes e frequentes que o esperado, a parteira pediu repouso! 2 semanas e voltei pro batente, afinal, não era mais prematuro, podia nascer em casa!

Com 40 semanas entrei de licença maternidade, e terminei os preparativos…

Aliás, enxoval de segunda viagem é bem mais enxuto! Dessa vez meu maior investimento foi nas fraldas de pano! Só comprei algumas roupinhas neutras, fraldas de pano, emprestei uma banheira (banh’air) pro parto, e nada mais! Ganhei um sling usado da minha prima Lidiane (SampaSling) e depois comprei um mei-tai da Keli do BazarBizarro (que estamos adorando!).

O PARTO

Eu achava que não chegaria às 40 semanas. De fato até a parteira achava isso, e achava que seria rápido. Bom, nos enganamos!

Chegando às 41 semanas, o Gustavo já tinha voltado da viagem, ele estava trabalhando, era uma terça-feira e fui buscar a Laura na escola, estava esperando ela e senti uma cólica diferente das braxton-hicks que já sentia desde 30 semanas… era uma pontada, não era uma cólica, nem uma contração…

Tratei de dar jantar pra Laura, lavei a louça, arrumei algumas coisas e liguei pra Vilma, era umas 19h30. Ela falou pra observar e ligar se mudasse alguma coisa.

Por precaução liguei pro Gustavo e pedi pra ele voltar pra casa e pra Carla Raiter (fotógrafa) e já avisei que poderia ser essa noite.

Essas pontadas continuaram, mas não estavam ritmadas; marido em casa, aproveitei pra tomar um banho e tentar dormir.

Às 01h30 acordei (mais ou menos, pq não tinha conseguido dormir profundamente) sentindo contrações “de verdade”. Liguei pra Vilma e pedi pra ela vir, embora ainda estivesse no controle da situação, rs.

Liguei tb pra Carla e avisei que estava começando!!!! 😀

Por volta de 02h30 a Vilma chegou, fez um toque e tchantchantchantchan: 5 cm!!! Logo depois a Carla chegou! O porteiro perguntou se estava tudo bem, e se ia chegar mais gente, hahaha!

Acho que até umas 03h30 foi bem tranquilo, fui pra piscina e a bolsa rompeu durante um toque… aí o bicho pegou!

8 cm, mas colo posterior e a dor estava ficando insuportável.

Ela fez umas massagens, e uma hora depois… 8cm e colo posterior ainda!

Bora trabalhar, saí da água e a Vilma começou a fazer massagens nas costas, umas posturas mesmo deitada, com um tipo de bambu grande sob a lombar; e vira pra cá e pra lá, faz força na contração, puxa a perna… Gente, como isso doía! Era fazer força, puxar a perna pro queixo fazendo posição fetal enquanto a Vilma acertava ela por fora da barriga e centralizava o colo por dentro!

* a dilatação estacionou porque o colo estava posterior (virado pra trás, e não centralizado com o canal vaginal), e pela marca na cabeça dela, uma mãozinha devia estar na testa, ou a cabeça defletida… essa parte eu não entendi direito, partolândia, sabe como é, rs!)

Mas funcionou! A Vilma falou pra eu deitar com o Gustavo de conchinha pra ele me aquecer e tentar relaxar um pouco, mas a cada contração eu gritava “Vilmaaaaaaaaaaaaa, volta, me dá sua mão!”  e ela teve que ficar com a gente…

Então a Laura acordou!!! Ela estava dormindo, mas meus gritos foram aumentando! Tão bonitinha “A mamãe tá rindo ou chorando? Pq a mamãe tá gritando? … Minha irmã vai nasceeeeeeeer?!?!?!”

Liguei pra minha mãe orar por mim, pois eu estava com medo. Muito característico do finalzinho do parto, rs! Medo, aquela sensação de que não ia suportar, um medo de morrer… mas pro bebê nascer a gente morre um pouquinho mesmo, a gente precisa morrer pra uma nova mulher nascer…

Então quis levantar, o Gu também foi dar um lanche pra Laurinha, por um filme, já que era quase 5 da manhã e ela não queria mais dormir!

Até a Carla veio me ajudar, pq eu estava assim: “não vai dar, quero anestesia, quero ir pro hospital tomar anestesiaaaaaaaaaaa!”

E a Vilma dizia que se a gente saísse ia nascer no elevador, no máximo no carro. É, era melhor mesmo ficar em casa.

Então eu fui ao banheiro, e de novo não saía nada (novidade, né?); levantei e não achava posição, mas eu sentia que ela ia nascer, a dor estava aumentando e a sensação de “fazer cocô” estava muito forte; eram os PUXOS! Nessa hora eu me pendurei no Gustavo, mordi ele, apertei e senti que ia nascer. Fiquei de joelhos, mas não queria parir abraçada no vaso sanitário (a Laura veio até a porta do banheiro, mas voltou pro quarto)! Então a Vilma falou pra eu ir pra água, mas eu achava que estava fria… coloquei a mão e estava quentinha ainda!!!! 😀 Uhullllllll!

Eu pulei pra água e ainda de joelhos comecei a fazer a maior força do mundo! E os gritos? Não sei como ninguém ficou surdo! Não sei como os vizinhos não reclamaram!

Então senti o círculo de fogo e a cabeça dela saindo! Já não doía mais!

Mas aí eu fazia força e … nada! Não saía! E eu: “Vilmaaaaaa, não saaaaaaaaaaiiiiii!”

E ela disse: “vira de frente pra mim, muda de posição que sai!”

Eu virei, e ela “olha só, a cabeça já nasceu, falta pouco!”

Meu Deus! Eu estava ali, parindo minha bebezinha, e estava segurando a cabecinha dela! Eu estava conseguindo! Quanta alegria!! Mas ela não saía… eu pedi ajuda, a Vilma mal colocou a mão e o corpinho dela deslizou pra fora de mim… o cordão (pra variar) enroladinho no pescoço, e a minha amada Vilma tirou. E disse: “deixa ela na água”…

É claro, eu estava tão curiosa pra ver o rostinho delx que esqueci que aqui estava tão frio, era melhor ficar dentro da água enquanto ela ainda não precisava respirar!

Então eu virei ela e, meu Deus: “ela é linda demais! ela é linda, linda” e cadê a Laura? chama logo ela pra ver a irmã! Ela veio meio incrédula, mas como se fosse a coisa mais normal do mundo e um sorriso lindo: “ela nasceu? cadê? ah, que pequena!”

Era rir e chorar ao mesmo tempo, e eu ainda naquele estado de “uau, ela é linda! acabou, nasceu, eu consegui… mas… ela é linda! a cara da Laura quando era bebezinha”

Fomos pra cama, eu quero ficar olhando pra ela o tempo todo, peladinha, sentir aquele corpinho, aquelas coxinhas grossas! Ah, vamos ver quanto pesa essa pessoinha linda e coxudinha… e descobrimos pq eu fazia foooooorça e ela não saía: 3,800 kg de uma lindeza imensa, com olhos azuis tão claros que a gente até se perde!

Eu queria ficar olhando pra ela, mas ela então chorou… de frio!

Vamos cortar o cordão. Dessa vez ele já estava bem molinho. Eu ia fazer bebê lótus, mas desisti. Pelo menos lembrei de guardar a placenta! Está no meu freezer ainda, com uma etiqueta pra ninguém confundir com alguma comida!

Vilma, Carla e Gustavo arrumando e limpando as coisas, preparando um lanchinho, hora de revisar o períneo e tem uma laceração espontânea bem pequena, que não precisou de sutura, somente compressas de calêndula e perninhas fechadas e cicatrizou muito bem e rápido.

Descoberta impressionante: sabe quando dizem que depois do parto normal a mulher tá nova, pronta pra outra? Não vale pra mim!

Novamente eu tive um desmaio, apesar de perder pouco sangue, quase nada, menos até que o esperado. Dessa vez acordei nos braços do meu amado, que ficou esperto e não me deixou cair, sendo assim não me machuquei! 😀 Eu faço parte de uma minoria que  pari e necessita de repouso absoluto, rs! Uma lady, gente!

Em menos de 30 dias estava totalmente recuperada, sem dor, sem desconforto, sem cicatrizes, mas devo agradecer ao meu companheiro maravilhoso por cuidar de mim, da casa, da comida, das meninas e me proporcionar esse repouso de verdade! Pq sei que muitas mulheres não contam com isso e aqui ele não só dividiu como assumiu as tarefas da casa.

Dessa vez também fiz uma PLANO DE PÓS-PARTO, pra facilitar a vida. Combinei com minha ajudante do lar de vir mais vezes em casa, congelamos comida, deixamos alguns lugares que entregam comida na manga, minha mãe pode vir alguns dias, então, apesar do meu lindo e amor da vida viajar novamente qdo nossa caçulinha estava com 3 semanas e só voltar qdo ela fez 2 meses, consegui me virar muito bem com as coisas práticas (mas não com a saudade)!

E como não podia ser diferente, a amamentação foi difícil, dessa vez eu fiquei tão pilhada que não dei atenção à pega dela, então 24 horas foram suficientes pra fazer aquele estrago! Mas nada que Vilma, marido, mãe, irmã, pediatra do bem e Ana K (é, vc tb, rs) e uma bomba elétrica não resolvessem e em menos de 1 semana estava tudo lindo! Mamando muito, até hj, 15 meses depois, sem LA, sem bicos!

Me sinto agradecida e abençoada por conceber, gestar e parir naturalmente duas crianças lindas e saudáveis!

Anúncios
O COMEÇO

Sempre quis ter filhos, e sempre quis ter uma menina! Estávamos planejando pra 2010… mas os planos de Deus eram diferentes dos nossos: em 15 de dezembro de 2007 eu descobri que estava grávida! Foi um susto, demorou pra ficha cair… Mas já que a gravidez estava confirmada começou minha busca por um médico que fizesse parto “normal”.

PARTO… HOSPITALAR X NORMAL X NATURAL HUMANIZADO X DOMICILIAR…

Eu achava que todo parto normal era humanizado, não sabia das intervenções sofridas no hospital, mas pesquisando na internet descobri a realidade do parto hospitalar padrão, mas também descobri relatos de parto natural, e era isso o que eu queria pra mim! Não queria ser submetida a uma série de procedimentos simplesmente porque “é assim que fazemos; esta é nossa rotina” sem ter considerada minha individualidade justamente num momento tão íntimo e importante da minha vida! Outra coisa que me deixava preocupada é que eu tenho medo de hospital, soro, cirurgia e todas as minhas amigas (de idades próximas) tiveram cesárea; era como se a minha geração tivesse nascido com defeito. Era impressionante! Pra todas havia uma desculpa esfarrapada pra cirurgia… enfim, eu não queria passar por isso.

Na verdade decidi pelo parto domiciliar, e pareceu muito natural pra mim, não tive dúvidas, era o melhor a ser feito! Minha mãe teve minha irmã mais velha num parto domiciliar desassistido, como ela cresceu em fazenda já tinha visto diversos partos (de animais e de gente) então sabia como era, tudo bem que pra um primeiro filho foi assustador, mas tudo deu certo!

Minha irmã do meio nasceu de parto normal hospitalar e eu de cesárea (por escolha do médico que inventou uma desculpa na hora). Ela sempre falou que o natural foi melhor e que a dor era perfeitamente suportável…

Depois de passar por 6 médicos (todos com a mesma história de que o parto normal dependeria do tamanho do bebê, se eu não engordasse muito, se tivesse dilatação, se o cordão não estivesse enrolado, enfim, seria cesárea!) cheguei no Dr AJ, mas ele estaria de férias na data prevista para o parto (DPP), e sabendo que eu queria um parto natural me indicou a Vilma Nishi (enfermeira obstetriz, mas que prefere ser chamada de parteira, que é o que ela é de verdade), de quem eu já tinha lido nos relatos de parto. Pela internet eu também descobri o GAMA, o Espaço Vida e Nascer Natural (que agora é o Núcleo Nove Luas), a lista materna_sp e todas as pessoas maravilhosas que me ajudaram no meu parto domiciliar.

O Bbzo (namorido), no início, não gostou muito dessa idéia de parto em casa, mas eu o “obriguei” a ler alguns livros, e ficava falando o tempo todo das discussões da lista, dos mitos relacionados a parto, aí nós fomos ao GAMA, e ele ficou todo empolgado porque nossa pequena ia nascer em casa! Eram tantas descobertas…

Todos nossos amigos falavam que eu era louca, que não se fazia mais isso, pra quê eu ia querer sentir dor… mas a escolha era minha, e eu sempre acreditei que ia dar certo, não cogitei uma segunda opção. Agora era só esperar…

ESTAVA DECIDIDO: ELA VAI NASCER EM CASA!

Fomos procurar a Vilma. Nossa primeira conversa foi muito gostosa. Eu tinha certeza do que eu queria. E ela era perfeita! Não havia aquele monte de exames. Partíamos do princípio de que eu e minha bebê estávamos bem. Havia embasamento em evidências científicas para tudo isso.

Decidi fazer o pré-natal com ela, embora eu falasse para os “incrédulos” que fazia com médico também… Nos encontrávamos uma vez por mês, ouvíamos o coração do bebê, batíamos papo, fazíamos exercícios de alongamento e massagens também, inclusive no Bbzo, afinal a gravidez era dele também.

A GRAVIDEZ

A data prevista para o parto pela data da última menstruação era uma e pela ultrassonografia era outra com 4 dias de diferença (no fim ela nasceu 12 dias depois do previsto pela DUM).

A gravidez foi tranqüila, nunca me senti tão bem como quando estava grávida… me sentia linda, plena, radiante (mesmo com 14 kg a mais – até a 39ª semana, depois não tive mais coragem de ver!) e todo mundo me dava atenção, principalmente no trabalho. Trabalhei até a DPP, esperando que nascesse naquela mesma semana, mas nada acontecia…

Uma semana após a tal da DPP mal consegui dormir de tanto calor. Eu suava demais, mas estava frio, tanto que o Bbzo dormiu de agasalho e edredom e eu dormi pelada! A Vilma disse que era o corpo se preparando pro trabalho de parto, eba! Nove dias após a DPP a Vilma veio até nossa casa e fez um toque, disse que o colo do útero estava mole mas ainda posterior e que havia 1 cm de dilatação, bebê cefálico (de cabeça pra baixo, melhor posição pra parto vaginal) e encaixado, típico de final de gravidez.
Podria nascer naquele dia ou demorar mais uma semana…

Como eu estava cansada de deixar de fazer as coisas por causa da proximidade do parto decidi que no dia seguinte ia à reunião da Matrice (grupo de apoio à amamentação) que seria inauguração da semana mundial de amamentação e que no sábado ia ao parque da água branca na feira de orgânicos. No mesmo dia fomos assistir Hancok no cinema. Comi muito chocolate, à noite fiquei sentada na bola de exercícios rebolando pra diminuir a dor nas costas e então comecei a sentir umas contrações de Braxton-Hicks mais fortes e ainda brinquei com o Bbzo que ela estava nos enganando… mas dessa vez ela não estava!

O INÍCIO DO TRABALHO DE PARTO

Acordei à 01:20h da manhã com cólicas e não conseguia dormir, aí lembrei que a Vilma disse que se eu não conseguisse dormir é porque era trabalho de parto mesmo, e comecei a marcar os intervalos, mas não estavam regulares e eu também não estava dando muita atenção pra isso, só pensava que minha hora chegou! Fiquei na cama tentando descansar.
Às 02:30 liguei pra Vilma e ela disse pra tomar um banho quente e, se passasse era porque não era, mas não passou e eu também não conseguia dormir, mas as dores eram como cólicas menstruais mesmo, só que com intervalos e suportáveis.
A essa altura o Bbzo percebeu minha inquietação e também não dormiu mais, mas ficamos deitados tentando dormir, afinal podia demorar.
Às 04:30h liguei pra minha mãe que mora longe e disse pra ela se arrumar que agora era pra valer e às 05:30 liguei pra Vilma de novo e falei pra ela vir por que dessa vez era de verdade, enquanto isso fiquei no chuveiro tentando relaxar…
Durante a madrugada tive dor de barriga e fui no banheiro umas 4 vezes, achei ótimo porque tinha medo de fazer cocô no expulsivo…

Lá pelas 07:00h saí do chuveiro e fui sentar na bola porque estava cansada de ficar de pé, foi só sentar que o tampão saiu inteiro! E a Vilma chegou! Fez um toque e estava com 7 cm já! Eu fiquei aliviada pois estava com medo de não ter quase nada de dilatação…

Colocamos uma musiquinha havaiana que eu ouvi muito na gravidez (presente do Gu! CD do Israel Kamakawiwo’ole – ouça aqui), a piscina já estava no quarto e o Bbzo começou a encher de água com o balde, a Vilma começou a fazer massagens, e logo depois minha mãe chegou, em seguida minha sogra também chegou.

As massagens espaçaram as contrações, que ficaram mais intensas, porém ainda suportáveis e, quando vinham eu tentava não me contrair, relaxava o corpo e me concentrava mentalizando que aquela dor era boa, que eu tinha que me abrir pra minha bebê passar, que era meu corpo fazendo o trabalho dele.
E funcionou porque o trabalho de parto foi muito tranqüilo e rápido! Eu curti cada minuto!
Estranho que, apesar de toda a dor, eu esperava algo muito pior, e não tinha acontecido até então…

Quando já estava acho que com uns 8 cm fui pra piscina, já tinha perdido a noção do tempo, depois o Bbzo entrou comigo na água. E a minha irmã do meio chegou (teve platéia!).
Não lembro bem que hora eu falei que queria ir ao banheiro, e a Vilma perguntou se era xixi e eu falei que não, e ela disse pra eu ir, mas que ela achava que era a nenê querendo nascer. Fui no banheiro e nada!

Voltei pra piscina e falei pra Vilma que estava com vontade de fazer cocô e ela falando que quando tivesse essa vontade era pra eu fazer força que não era cocô, era a Laura bem perto de nascer, mas nada!

E como doía fazer aquela força! Doía na barriga, era uma dor diferente…  Piorava a dor fazer força!
E eu estava com tanto sono que dormia apoiada no Bbzo entre as contrações e quando elas vinham e dava aquela vontade (que eu achava que era de fazer cocô, mas eram os puxos) eu avisava a Vilma que ficava a postos.
Aí eu fiquei com medo…
A Vilma fez um toque e já tinha  dilatação total, mas acho que faltava a Laura girar um pouco, então fiz o que ela mandou: saí da piscina e fui andar, mas já estava difícil, então fui pro chuveiro e quase que ela nasce lá mesmo! Pude sentir a bolsa quando fazia força e ela descia, uma sensação muito boa, mas ao mesmo tempo assustadora!
Nesse momento eu me dei conta de que um bebê ia nascer, de que minha vida ia mudar, de que eu ia deixar de ser filha para ser mãe… Só nesse momento, quando senti ela descendo e girando é que a ficha caiu de verdade… aí deu medo…

AGORA VAI!

Voltamos pro quarto e tentamos achar uma posição mais confortável, aí fiquei meio deitada no chão com o Bbzo me apoiando atrás (sentado no chão atrás de mim).
Desde a transição (da dilatação total para o expulsivo) eu já não estava mais rindo, estava na “partolândia”, e não queria que ninguém falasse mais nada, queria silêncio absoluto, até o som foi desligado.
Quanto mais perto de ela nascer fui ficando com mais medo e isso atrapalhou minha concentração, me impediu de aproveitar melhor o momento, aí minha mãe fez uma oração em voz alta e me disse que dependia só de mim, eu tinha que fazer minha filha nascer…
Lembro da minha irmã orando e me olhando com uma cara de dó!
Aí eu clamei a Deus pra me ajudar porque eu estava cansada e com medo e queria dormir!
Não queria “morrer na praia” depois de toda essa jornada!
Juntei forças e comecei a empurrar, até que a bolsa estourou e espirrou tudo na Vilma!

Fiz mais força e senti o cabelo dela, mas ela descia e subia…
Em determinado momento pedi pra Vilma me ajudar, e ela falou “só se eu puxar pelos cabelos dela!”.
Eu comecei a gritar durante a “força”, não era bem um grito, era um som gutural, aí senti o círculo de fogo, noooooosssssssa! (lembrei dos relatos que tinha lido, do círculo de fogo, não tem nome que defina melhor aquela sensação, e do grito meio “animal”).

Nessa parte minha sogra saiu do quarto, ela ficou com dó de mim e preferiu sair!

Quando a cabeça estava saindo a Vilma falou pra eu parar de fazer força e eu “não dáááááááá!!!!!” e minha mãe do meu lado falando pra eu respirar e não fazer força… a Vilma até “segurou” a cabeça dela pra não sair de uma vez e pro períneo alongar um pouco mais e não romper.
Na realidade não sei se consegui não fazer força… de repente vi a Laura saindo com o cordão enrolado no pescoço (que a Vilma logo retirou) e ela veio pro meu colo!
Com 51 cm e 3,130 kg!
Aí eu e o Gustavo começamos a rir e a chorar!
Todo mundo começou a rir e a chorar!
A Laura nasceu em casa! No chão do nosso quarto… Era tanta gente amando ela naquele mesmo momento e lugar que era impossível não se emocionar!

E ela ficava esticando as perninhas como se quisesse ficar em pé, exatamente como fazia na barriga, que formava um “caroço” do lado direito da minha barriga!
E os olhinhos azuis bem abertos olhando tudo, cabeluda e a boquinha bem vermelhinha! De repente o maior berreiro, chorou bem forte e parou pra mamar… ficou quase uma hora mamando!
O Gustavo cortou o cordão depois que ele parou de pulsar… logo depois, senti uma dor e a placenta saiu, que alívio!

Fiquei na cama enquanto todo mundo fazia a limpeza pós-parto…
A Vilma veio dar os pontos porque, mesmo usando a pomada de cobre eu tive laceração de pele e mucosa (mas muito menos que uma episiotomia, nem se compara!); não percebi que a força que fiz foi muito grande e a Laura saiu muito rápido, depois minha irmã falou que a Vilma falava e eu não entendia direito!
Depois recebi a visita do meu sogro, fizemos um lanchinho, aí dormi bastante… de noite vieram muitos amigos conhecer a Laurinha! E saber como foi o tal “parto em casa”!
Só digo a vocês: VALEU A PENA!

No dia eu falei que não passaria por isso de novo. Hoje eu digo que passaria por tudo! Se tivermos outro filho, talvez daqui alguns anos, será em casa de novo!

Reflexões:
Minha irmã não quer ficar grávida, tem pavor de barriga de grávida, quando a minha ficou grande ela pedia pra não ver, mas o parto ela fotografou sem frescura, e clicou exatamente a hora do nascimento (inclusive a circular de cordão no pescoço); depois ela comentou com a Vilma que foi maravilhoso, impressionante, “gente nascendo de gente” (palavras dela), mudou a vida dela.

Ela também disse que no final do trabalho de parto eu estava com uma cara de cansada, abatida, mas assim que a Laura nasceu meu semblante se iluminou, mudou completamente.

Não consegui comer durante o TP, só beber, então me senti muito fraca.
No final da tarde eu fui bela e formosa ao banheiro e quando voltei desmaiei! Só lembro que acordei no chão, esfolei o braço e bati a cabeça… mas o pior foi o períneo… caí em cima dos pontos e dois dias depois tiveram que ser refeitos… e a anestesia não funcionou direito por causa da inflamação, então chorei mais por causa dos pontos do que pra dar à luz!

Ah, no final do expulsivo eu falava pra Vilma “Tira ela logo daqui! Eu não agüento mais! Ela vai rasgar tudo, não vai passar!”… tolinha! Como diz a Vilma: “neném entra, neném sai!”

Agradecimentos:
Agradeço a Deus pela graça que recebi, pela obra em minha vida, pelo parto, por tudo! Pela dádiva de conceber, gerar e parir naturalmente!
Ao Bbzo por ser minha vida! Por ter apoiado meu ideal e ter participado ativamente do parto, pelo cuidado que tem comigo e com a nossa filhinha, pela força e segurança que transmite!
À minha mãe, meu exemplo de mulher forte e digna, que também apoiou minha decisão e esteve ao meu lado me orientando, encorajando e orando por nós!
À minha irmã do meio que fotografou o parto e orou tanto para que corresse bem!
À minha sogra por cuidar de mim como filha.
À Vilma por ter sido tão atenciosa e maravilhosa conosco.
A todas as mulheres da minha família (parideiras) e às maternas (parideiras também!) que me fizeram acreditar em mim e no meu corpo e me ajudaram a decidir pelo parto domiciliar, por tudo que aprendi na lista, muito obrigada!

E à minha princesa, por mudar a nossa vida!



  • Nenhum
  • Naiara Scarabelli: Seu Blog é lindo... Maravilhoso o jeitinho que você fala dos seus Bbzerrinhos*.... Estou gravida de 27 Semanas, é um rapazinho e quero ganhar parto
  • keylla: Ola. Seu relato me inspirou. Estou com um bebe de 2 meses e estou tentando deixar o complemento, mas ele pede o peito de hora em hora e chega a ficar
  • bbza: Então Cibely, a Laura começou a comer grãos com 10 meses. Arroz e feijão ou lentilha. Ela não curtia muito papinha, então um dia resolvemos tent