Bbzs' Blog

Meu relato de amamentação quase exclusiva até os 6 meses

(E exclusiva por 6 meses, isto é, até 7m13d)




Antes de começar, gostaria de deixar bem claro que o parto natural, a amamentação e a alimentação natural são MUITO, mas MUITO importantes para mim



Minha filha nasceu num parto domiciliar totalmente natural.

Não tomei nada pra dor, mesmo tendo uma laceração de períneo e inflamação dos pontos, nem lembrei de tomar analgésicos. Tomei apenas homeopatia e medicamentos antroposóficos.

Minha filha não foi vacinada, não tomou vitamina K, não recebeu colírio, não tomou banho nas primeiras 24 horas de vida, tudo muito natural; meu sonho estava se realizando de uma forma linda!

Assim que saiu de dentro de mim veio pro meu peito e, ainda ligada à placenta que estava no meu útero, sugou com muita força, meia hora cada seio e só parou pra cortar o cordão e pra eu descansar um pouco.

Eu senti muita dor, desde o primeiro instante da amamentação, mas a parteira e minha mãe disseram que era normal, o corpo ainda não estava acostumado, mas logo ia normalizar.

Mas a dor não diminuiu e estava insuportável, e olha que eu suporto bem a dor, mas não estava aguentando!

Era dolorido demais não conseguir alimentar minha filhinha…

Quando ela chorava de fome eu chorava de tristeza, de medo, de dor física e espiritual, pois sabia que eu ia enfrentar mais uma sessão de dor até quase desmaiar…

Até uma madrugada quando eu não suportei mais a dor e ela não parava de chorar de fome.

Era o 4. dia de vida da minha filha, o meu marido foi à farmácia às 2 da manhã, comprou uma mamadeira qualquer, 1 lata de um leite artificial qualquer, e ela encheu a barriga e dormiu sossegada por umas 2 horas.

No dia seguinte eu liguei aos prantos numa locadora de bombas para extração de leite, mal conseguia falar com a atendente de tanto que eu chorava de tristeza, frustração, vergonha e medo de não voltar a amamentá-la (a moça até tentou me consolar, falou que era muito comum no começo e que a bomba ia ajudar…), logo em seguida chegou o motoboy com a bomba e eu tirava leite praticamente de hora em hora, mas era só ela encostar no peito que eu urrava de dor!

Mesmo com a bomba meu peito doía.

Eu tirava o leite com a bomba e meu marido dava na mamadeira, às vezes a parteira vinha e dava no copinho, mas ela chorava quando um de nós dois tentávamos o copinho…

E a minha produção de leite diminuiu muito nos 15 dias em que eu não conseguia amamentá-la diretamente no meu seio, mesmo tomando 3 litros de água, mais 2 litros de chá de camomila e chá da mamãe!

Então ela tomava meu leite e depois o leite artificial.

Eu me sentia incapaz, profundamente triste, chorava dia e noite, estava beirando a depressão, até a pediatra que é ativista da amamentação chegou a cogitar que eu desistisse, pois o sofrimento que eu sentia estava me consumindo e me entristecendo demais!

Mas eu não aceitei e disse que eu ia tentar e que conseguiria!

A parteira veio à minha casa durante os 15 dias que duraram essa situação, até que, depois de muito lansinoh, homeopatia, sol, conchas, pomada de própolis, de calêndula, ficar sem dar o peito diretamente por essas duas semanas e muita oração ela voltou a mamar!

A pediatra e a parteira chegaram à conclusão que a dor que eu sentia era um misto de hipersensibilidade da pele e stress do pós-parto. Com muita oração e medicação homeopática a dor foi diminuindo e eu não embarquei numa depressão pós-parto (ou embarquei?).

Consegui deixar o complemento completamente quando ela estava com 41 dias, mas essa foi outra dificuldade…

Por que não devemos dar mamadeira para recém-nascidos…

(devo dizer que sou completamente contra mamadeira e chupeta, principalmente para recém-nascidos, mas isso é MINHA opinião!)

Ela estava acostumada com a facilidade da mamadeira (desde recém-nascida fazia escândalo com o copinho), então mamava uns 10 minutos no peito e, quando ficava difícil, quando tinha que sugar com mais força pro leite sair ela não queria mais, chorava até o pai dela dar a mamadeira (por que eu não conseguia, chorava só de olhar a mamadeira!), mas eu ainda não aceitava essa situação, não era o que eu havia sonhado, planejado pra nós duas!

Então, numa dessas sessões de choro pra dar a mamadeira eu comecei a chorar também e o marido pegou ela do meu colo e colocou no carrinho e ela chorou por 3 minutos (que pareceram 3 horas!), depois colocou ela no meu peito de novo, e a choradeira se repetiu algumas vezes, sempre que negávamos a mamadeira…

Ela parou de chorar pela mamadeira mas chegou a ficar 3 horas mamando, eu passando ela de um peito para o outro, até se sentir saciada…

E desde então ela não chorou mais pela mamadeira e ficava só no peito!

Devo dizer que ela mamava muito, foi até 3 meses e meio com intervalos de aproximadamente 1 hora entre as mamadas, dia e noite!

Eu ficava esgotada, mas realizada!

Eu era um par de peitos exaustos mas transbordando alegria e leite!

Introdução de Alimentos

Iniciamos a introdução de alimentos no 6. mês, mas ela só foi comer (antes disso era provar uma colher e cospir a comida e chorar) com 7m13d; coincidentemente ela compensou os 40 dias de complemento recusando a comida, e praticamente mamando só no peito, em livre demanda por 7 meses e meio!

Fiz estoque de leite pra minha volta ao trabalho, mas durou somente uns 20 dias.

Voltei ao trabalho quando ela estava com 8 meses, mas ela ficou mais 2 meses em casa com meu marido, minha sogra e minha mãe revezando em casa.

Saio de casa às 7 da manhã, deixo ela no Jardim, o pai ou a avó pegam ela às 15h e eu volto pra casa às 18h, aí é só peito, até ela dormir e no meio da noite também.

Ela começou a comer a mesma comida que nós aos 9, quase 10 meses.

Fazemos cama compartilhada porque, após 5 meses acordando de hora em hora, decidimos que o melhor era manter a pequena conosco.

E foi a melhor coisa! O sono dela e o nosso melhorou muito!

Além de ser delicioso acordar na madrugada e ver aquelas bochechas!

Depois de 1 ano…

Atualmente ela mama na mamadeira no Jardim com o meu leite ou um leite artificial.

Interessante também é que mesmo estando fora o dia todo meu peito ainda vaza!

Tem dias que não dá tempo de ordenhar, em outros ordenho duas vezes, acontece de não sair nem 30 ml e em outros dias de tirar 150ml… e eu não me preocupo pois sei que quando ela mama tem leite de jorrar!

Não dou doces, nem alimentos ou bebidas adoçadas, nem alimentos industrializados (tipo danoninho), mas no aniversário dela deixei que ela comesse brigadeiro e ela se lambuzou! Percebi que ela adorou! Mas logo depois ela veio toda manhosa e disse “mamãe, mamá, mamá, mamá!” já puxando minha blusa… Eu amamentei e ela dormiu por uma hora, aí acordou toda feliz e voltou a brincar!

Graças ao apoio de profissionais comprometidos com a amamentação e de pessoas do grupo Matrice, leitura de diversos relatos eu amamentei muito e continuarei amamentando por quanto tempo minha filha quiser e eu também!

Muito se perdeu da sabedoria e intuição feminina e os grupos de apoio são o que resta do conhecimento popular. Este grupo (matrice, materna) veio pra contrariar o que dizem a maioria dos médicos e mães, tias, vizinhas que existem por aí só pra nos tirar a segurança e nos encher de idéias negativas.

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A cada relato que leio, a cada conversa com outras maternas (sim, maternas, pois com mulheres fora desse círculo esse assunto não existe), relembro o parto da minha bbzerrinha…
Não apenas “relembro”, mas lembro de momentos que ainda não tinha sequer noção de que aconteceram comigo.
Um desses momentos foi a apresentação da placenta pra mim. Eu estava tão emocionada, trêmula, chorando, num misto de dor e êxtase, tantas sensações e sentimentos que há poucos dias lembrei disso e, conversando com a Gi (gente, não sei o nome dela, apenas conversamos no chá de trocas no galpão da Ana Thomaz) ela falou sobre “medicina da placenta” e eu me dei conta que tive tão pouco contato com a minha placenta. Fiquei espantada com o cordão umbilical, que é rígido, meio azulado, difícil de cortar, e ainda mais com a placenta, que foi o que sustentou minha pequena durante sua vida intrauterina, e eu não a explorei o tanto que gostaria, não tive onde plantá-la, apenas a vi por alguns instantes e, no meio de tanta euforia, a descartei.
Depois passei por uma fase terrível de “baby blues” e nem pensei mais nisso.
Hoje, recuperada, vivendo meus momentos de mãe em período integral, paro pra pensar no que poderia ter sido. Não vou viver do passado, mas já faço planos para uma próxima gravidez, um próximo bebê (que será menina de novo, desejo do papai, que ama ter uma menininha!) de dar mais atenção a este órgão comum entre mãe e bebê, talvez manter meu próximo bebê conectado à placenta por mais tempo, fazer a medicação e garantir, assim, mais união por toda a vida!

O COMEÇO

Sempre quis ter filhos, e sempre quis ter uma menina! Estávamos planejando pra 2010… mas os planos de Deus eram diferentes dos nossos: em 15 de dezembro de 2007 eu descobri que estava grávida! Foi um susto, demorou pra ficha cair… Mas já que a gravidez estava confirmada começou minha busca por um médico que fizesse parto “normal”.

PARTO… HOSPITALAR X NORMAL X NATURAL HUMANIZADO X DOMICILIAR…

Eu achava que todo parto normal era humanizado, não sabia das intervenções sofridas no hospital, mas pesquisando na internet descobri a realidade do parto hospitalar padrão, mas também descobri relatos de parto natural, e era isso o que eu queria pra mim! Não queria ser submetida a uma série de procedimentos simplesmente porque “é assim que fazemos; esta é nossa rotina” sem ter considerada minha individualidade justamente num momento tão íntimo e importante da minha vida! Outra coisa que me deixava preocupada é que eu tenho medo de hospital, soro, cirurgia e todas as minhas amigas (de idades próximas) tiveram cesárea; era como se a minha geração tivesse nascido com defeito. Era impressionante! Pra todas havia uma desculpa esfarrapada pra cirurgia… enfim, eu não queria passar por isso.

Na verdade decidi pelo parto domiciliar, e pareceu muito natural pra mim, não tive dúvidas, era o melhor a ser feito! Minha mãe teve minha irmã mais velha num parto domiciliar desassistido, como ela cresceu em fazenda já tinha visto diversos partos (de animais e de gente) então sabia como era, tudo bem que pra um primeiro filho foi assustador, mas tudo deu certo!

Minha irmã do meio nasceu de parto normal hospitalar e eu de cesárea (por escolha do médico que inventou uma desculpa na hora). Ela sempre falou que o natural foi melhor e que a dor era perfeitamente suportável…

Depois de passar por 6 médicos (todos com a mesma história de que o parto normal dependeria do tamanho do bebê, se eu não engordasse muito, se tivesse dilatação, se o cordão não estivesse enrolado, enfim, seria cesárea!) cheguei no Dr AJ, mas ele estaria de férias na data prevista para o parto (DPP), e sabendo que eu queria um parto natural me indicou a Vilma Nishi (enfermeira obstetriz, mas que prefere ser chamada de parteira, que é o que ela é de verdade), de quem eu já tinha lido nos relatos de parto. Pela internet eu também descobri o GAMA, o Espaço Vida e Nascer Natural (que agora é o Núcleo Nove Luas), a lista materna_sp e todas as pessoas maravilhosas que me ajudaram no meu parto domiciliar.

O Bbzo (namorido), no início, não gostou muito dessa idéia de parto em casa, mas eu o “obriguei” a ler alguns livros, e ficava falando o tempo todo das discussões da lista, dos mitos relacionados a parto, aí nós fomos ao GAMA, e ele ficou todo empolgado porque nossa pequena ia nascer em casa! Eram tantas descobertas…

Todos nossos amigos falavam que eu era louca, que não se fazia mais isso, pra quê eu ia querer sentir dor… mas a escolha era minha, e eu sempre acreditei que ia dar certo, não cogitei uma segunda opção. Agora era só esperar…

ESTAVA DECIDIDO: ELA VAI NASCER EM CASA!

Fomos procurar a Vilma. Nossa primeira conversa foi muito gostosa. Eu tinha certeza do que eu queria. E ela era perfeita! Não havia aquele monte de exames. Partíamos do princípio de que eu e minha bebê estávamos bem. Havia embasamento em evidências científicas para tudo isso.

Decidi fazer o pré-natal com ela, embora eu falasse para os “incrédulos” que fazia com médico também… Nos encontrávamos uma vez por mês, ouvíamos o coração do bebê, batíamos papo, fazíamos exercícios de alongamento e massagens também, inclusive no Bbzo, afinal a gravidez era dele também.

A GRAVIDEZ

A data prevista para o parto pela data da última menstruação era uma e pela ultrassonografia era outra com 4 dias de diferença (no fim ela nasceu 12 dias depois do previsto pela DUM).

A gravidez foi tranqüila, nunca me senti tão bem como quando estava grávida… me sentia linda, plena, radiante (mesmo com 14 kg a mais – até a 39ª semana, depois não tive mais coragem de ver!) e todo mundo me dava atenção, principalmente no trabalho. Trabalhei até a DPP, esperando que nascesse naquela mesma semana, mas nada acontecia…

Uma semana após a tal da DPP mal consegui dormir de tanto calor. Eu suava demais, mas estava frio, tanto que o Bbzo dormiu de agasalho e edredom e eu dormi pelada! A Vilma disse que era o corpo se preparando pro trabalho de parto, eba! Nove dias após a DPP a Vilma veio até nossa casa e fez um toque, disse que o colo do útero estava mole mas ainda posterior e que havia 1 cm de dilatação, bebê cefálico (de cabeça pra baixo, melhor posição pra parto vaginal) e encaixado, típico de final de gravidez.
Podria nascer naquele dia ou demorar mais uma semana…

Como eu estava cansada de deixar de fazer as coisas por causa da proximidade do parto decidi que no dia seguinte ia à reunião da Matrice (grupo de apoio à amamentação) que seria inauguração da semana mundial de amamentação e que no sábado ia ao parque da água branca na feira de orgânicos. No mesmo dia fomos assistir Hancok no cinema. Comi muito chocolate, à noite fiquei sentada na bola de exercícios rebolando pra diminuir a dor nas costas e então comecei a sentir umas contrações de Braxton-Hicks mais fortes e ainda brinquei com o Bbzo que ela estava nos enganando… mas dessa vez ela não estava!

O INÍCIO DO TRABALHO DE PARTO

Acordei à 01:20h da manhã com cólicas e não conseguia dormir, aí lembrei que a Vilma disse que se eu não conseguisse dormir é porque era trabalho de parto mesmo, e comecei a marcar os intervalos, mas não estavam regulares e eu também não estava dando muita atenção pra isso, só pensava que minha hora chegou! Fiquei na cama tentando descansar.
Às 02:30 liguei pra Vilma e ela disse pra tomar um banho quente e, se passasse era porque não era, mas não passou e eu também não conseguia dormir, mas as dores eram como cólicas menstruais mesmo, só que com intervalos e suportáveis.
A essa altura o Bbzo percebeu minha inquietação e também não dormiu mais, mas ficamos deitados tentando dormir, afinal podia demorar.
Às 04:30h liguei pra minha mãe que mora longe e disse pra ela se arrumar que agora era pra valer e às 05:30 liguei pra Vilma de novo e falei pra ela vir por que dessa vez era de verdade, enquanto isso fiquei no chuveiro tentando relaxar…
Durante a madrugada tive dor de barriga e fui no banheiro umas 4 vezes, achei ótimo porque tinha medo de fazer cocô no expulsivo…

Lá pelas 07:00h saí do chuveiro e fui sentar na bola porque estava cansada de ficar de pé, foi só sentar que o tampão saiu inteiro! E a Vilma chegou! Fez um toque e estava com 7 cm já! Eu fiquei aliviada pois estava com medo de não ter quase nada de dilatação…

Colocamos uma musiquinha havaiana que eu ouvi muito na gravidez (presente do Gu! CD do Israel Kamakawiwo’ole – ouça aqui), a piscina já estava no quarto e o Bbzo começou a encher de água com o balde, a Vilma começou a fazer massagens, e logo depois minha mãe chegou, em seguida minha sogra também chegou.

As massagens espaçaram as contrações, que ficaram mais intensas, porém ainda suportáveis e, quando vinham eu tentava não me contrair, relaxava o corpo e me concentrava mentalizando que aquela dor era boa, que eu tinha que me abrir pra minha bebê passar, que era meu corpo fazendo o trabalho dele.
E funcionou porque o trabalho de parto foi muito tranqüilo e rápido! Eu curti cada minuto!
Estranho que, apesar de toda a dor, eu esperava algo muito pior, e não tinha acontecido até então…

Quando já estava acho que com uns 8 cm fui pra piscina, já tinha perdido a noção do tempo, depois o Bbzo entrou comigo na água. E a minha irmã do meio chegou (teve platéia!).
Não lembro bem que hora eu falei que queria ir ao banheiro, e a Vilma perguntou se era xixi e eu falei que não, e ela disse pra eu ir, mas que ela achava que era a nenê querendo nascer. Fui no banheiro e nada!

Voltei pra piscina e falei pra Vilma que estava com vontade de fazer cocô e ela falando que quando tivesse essa vontade era pra eu fazer força que não era cocô, era a Laura bem perto de nascer, mas nada!

E como doía fazer aquela força! Doía na barriga, era uma dor diferente…  Piorava a dor fazer força!
E eu estava com tanto sono que dormia apoiada no Bbzo entre as contrações e quando elas vinham e dava aquela vontade (que eu achava que era de fazer cocô, mas eram os puxos) eu avisava a Vilma que ficava a postos.
Aí eu fiquei com medo…
A Vilma fez um toque e já tinha  dilatação total, mas acho que faltava a Laura girar um pouco, então fiz o que ela mandou: saí da piscina e fui andar, mas já estava difícil, então fui pro chuveiro e quase que ela nasce lá mesmo! Pude sentir a bolsa quando fazia força e ela descia, uma sensação muito boa, mas ao mesmo tempo assustadora!
Nesse momento eu me dei conta de que um bebê ia nascer, de que minha vida ia mudar, de que eu ia deixar de ser filha para ser mãe… Só nesse momento, quando senti ela descendo e girando é que a ficha caiu de verdade… aí deu medo…

AGORA VAI!

Voltamos pro quarto e tentamos achar uma posição mais confortável, aí fiquei meio deitada no chão com o Bbzo me apoiando atrás (sentado no chão atrás de mim).
Desde a transição (da dilatação total para o expulsivo) eu já não estava mais rindo, estava na “partolândia”, e não queria que ninguém falasse mais nada, queria silêncio absoluto, até o som foi desligado.
Quanto mais perto de ela nascer fui ficando com mais medo e isso atrapalhou minha concentração, me impediu de aproveitar melhor o momento, aí minha mãe fez uma oração em voz alta e me disse que dependia só de mim, eu tinha que fazer minha filha nascer…
Lembro da minha irmã orando e me olhando com uma cara de dó!
Aí eu clamei a Deus pra me ajudar porque eu estava cansada e com medo e queria dormir!
Não queria “morrer na praia” depois de toda essa jornada!
Juntei forças e comecei a empurrar, até que a bolsa estourou e espirrou tudo na Vilma!

Fiz mais força e senti o cabelo dela, mas ela descia e subia…
Em determinado momento pedi pra Vilma me ajudar, e ela falou “só se eu puxar pelos cabelos dela!”.
Eu comecei a gritar durante a “força”, não era bem um grito, era um som gutural, aí senti o círculo de fogo, noooooosssssssa! (lembrei dos relatos que tinha lido, do círculo de fogo, não tem nome que defina melhor aquela sensação, e do grito meio “animal”).

Nessa parte minha sogra saiu do quarto, ela ficou com dó de mim e preferiu sair!

Quando a cabeça estava saindo a Vilma falou pra eu parar de fazer força e eu “não dáááááááá!!!!!” e minha mãe do meu lado falando pra eu respirar e não fazer força… a Vilma até “segurou” a cabeça dela pra não sair de uma vez e pro períneo alongar um pouco mais e não romper.
Na realidade não sei se consegui não fazer força… de repente vi a Laura saindo com o cordão enrolado no pescoço (que a Vilma logo retirou) e ela veio pro meu colo!
Com 51 cm e 3,130 kg!
Aí eu e o Gustavo começamos a rir e a chorar!
Todo mundo começou a rir e a chorar!
A Laura nasceu em casa! No chão do nosso quarto… Era tanta gente amando ela naquele mesmo momento e lugar que era impossível não se emocionar!

E ela ficava esticando as perninhas como se quisesse ficar em pé, exatamente como fazia na barriga, que formava um “caroço” do lado direito da minha barriga!
E os olhinhos azuis bem abertos olhando tudo, cabeluda e a boquinha bem vermelhinha! De repente o maior berreiro, chorou bem forte e parou pra mamar… ficou quase uma hora mamando!
O Gustavo cortou o cordão depois que ele parou de pulsar… logo depois, senti uma dor e a placenta saiu, que alívio!

Fiquei na cama enquanto todo mundo fazia a limpeza pós-parto…
A Vilma veio dar os pontos porque, mesmo usando a pomada de cobre eu tive laceração de pele e mucosa (mas muito menos que uma episiotomia, nem se compara!); não percebi que a força que fiz foi muito grande e a Laura saiu muito rápido, depois minha irmã falou que a Vilma falava e eu não entendia direito!
Depois recebi a visita do meu sogro, fizemos um lanchinho, aí dormi bastante… de noite vieram muitos amigos conhecer a Laurinha! E saber como foi o tal “parto em casa”!
Só digo a vocês: VALEU A PENA!

No dia eu falei que não passaria por isso de novo. Hoje eu digo que passaria por tudo! Se tivermos outro filho, talvez daqui alguns anos, será em casa de novo!

Reflexões:
Minha irmã não quer ficar grávida, tem pavor de barriga de grávida, quando a minha ficou grande ela pedia pra não ver, mas o parto ela fotografou sem frescura, e clicou exatamente a hora do nascimento (inclusive a circular de cordão no pescoço); depois ela comentou com a Vilma que foi maravilhoso, impressionante, “gente nascendo de gente” (palavras dela), mudou a vida dela.

Ela também disse que no final do trabalho de parto eu estava com uma cara de cansada, abatida, mas assim que a Laura nasceu meu semblante se iluminou, mudou completamente.

Não consegui comer durante o TP, só beber, então me senti muito fraca.
No final da tarde eu fui bela e formosa ao banheiro e quando voltei desmaiei! Só lembro que acordei no chão, esfolei o braço e bati a cabeça… mas o pior foi o períneo… caí em cima dos pontos e dois dias depois tiveram que ser refeitos… e a anestesia não funcionou direito por causa da inflamação, então chorei mais por causa dos pontos do que pra dar à luz!

Ah, no final do expulsivo eu falava pra Vilma “Tira ela logo daqui! Eu não agüento mais! Ela vai rasgar tudo, não vai passar!”… tolinha! Como diz a Vilma: “neném entra, neném sai!”

Agradecimentos:
Agradeço a Deus pela graça que recebi, pela obra em minha vida, pelo parto, por tudo! Pela dádiva de conceber, gerar e parir naturalmente!
Ao Bbzo por ser minha vida! Por ter apoiado meu ideal e ter participado ativamente do parto, pelo cuidado que tem comigo e com a nossa filhinha, pela força e segurança que transmite!
À minha mãe, meu exemplo de mulher forte e digna, que também apoiou minha decisão e esteve ao meu lado me orientando, encorajando e orando por nós!
À minha irmã do meio que fotografou o parto e orou tanto para que corresse bem!
À minha sogra por cuidar de mim como filha.
À Vilma por ter sido tão atenciosa e maravilhosa conosco.
A todas as mulheres da minha família (parideiras) e às maternas (parideiras também!) que me fizeram acreditar em mim e no meu corpo e me ajudaram a decidir pelo parto domiciliar, por tudo que aprendi na lista, muito obrigada!

E à minha princesa, por mudar a nossa vida!

… era o verbo!
Então vamos escrever!

Olá a todos!

Vamos ver quantos dias vai durar este blog…
Se alguém quiser apostar, fique a vontade!


  • Nenhum
  • Naiara Scarabelli: Seu Blog é lindo... Maravilhoso o jeitinho que você fala dos seus Bbzerrinhos*.... Estou gravida de 27 Semanas, é um rapazinho e quero ganhar parto
  • keylla: Ola. Seu relato me inspirou. Estou com um bebe de 2 meses e estou tentando deixar o complemento, mas ele pede o peito de hora em hora e chega a ficar
  • bbza: Então Cibely, a Laura começou a comer grãos com 10 meses. Arroz e feijão ou lentilha. Ela não curtia muito papinha, então um dia resolvemos tent